terça-feira, 28 de junho de 2011

Certas pessoas

Você conhece certas pessoas pensando que seriam as certas pessoas para conhecer. Com um certo tempo, essas mesmas certas pessoas te deixam incerto quanto às suas certas escolhas, já não tão certas. Ao tentar acertar as coisas, o que acontece? Essas certas pessoas te acertam em cheio com tanta certeza de si mesmas que não deixam nenhum tipo de espaço para certas discussões. Com certas pessoas, certos assuntos não funcionam. Não diga nada, não rebata, não contrarie, não reclame. Você está errado.


De certo, a verdade é uma só. Certas pessoas estão sempre certas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Letra e música

O teatro sempre lota. Procurando diversão ou cultura, as pessoas vão adentrando e se acomodando. Mesmo de longe, é possível ouvi-las. As conversas, nem tanto. Só o burburinho, a inquietação pré-espetaculo. Após o terceiro sinal, as luzes se apagam e os holofotes se esquentam. Ao movimento do maestro, as notas se agrupam e a música ecoa pelo salão. É hora de entrar em cena e enfrentar a multidão.


O pulso continua calmo de tanto treino e o fôlego toma forma. Ao abrir a boca, as palavras fluem, subindo e descendo oitavas, declamando e gritando páginas e mais páginas de texto, lidas e relidas incessantemente até o decoro. A reação do público é sempre a mesma, risos e aplausos. Os agentes mudam, mas as ações continuam. Não há muito que esperar de novidade, a não ser que um colega mude o texto espontaneamente. Certamente seria interessante, desde que mais uma vez respondido com fervor da plateia. Passam-se atos e árias, até o clímax.

A história chega ao fim. Pelo menos a encenada, já que a conclusão cabe a quem assiste. As luzes se acendem novamente e entre os aplausos – sempre em pé, a música volta a tocar, para que todo o elenco, já revertido em simples atores, possa agradecer. A música cessa de vez e a plateia continua maravilhada. Incluindo eu, que passo a vida perto do palco sem estar nele.